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11 de Maio

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Time-Based Art

O tempo e a sua flecha implacável são problemas familiares à arte desde há muito. A velha querela entre as artes do tempo e as artes do instante, entre a temporalidade complexa das primeiras e a atemporalidade idealizada das segundas foi ultrapassada, sendo a história da modernidade em boa parte a sinalização da presença e da vitória do tempo e da sua irreversibilidade no campo da arte, das artes plásticas ao cinema, da literatura às artes performativas.

Por sua vez, com a incorporação crescente do tempo tecnológico, a arte contemporânea acabou por se tornar num espaço da experimentação da própria noção de tempo. Umas vezes como retardador, outras como factor de aceleração, a arte fez do tempo um dos seus assuntos centrais. Podemos mesmo dizer que o tempo se transformou num medium por direito próprio, servindo assim de elo de ligação e matéria comum a diferentes práticas artísticas. O tempo é assim um medium que define uma plasticidade própria e que se estende das experiências da cinemática às artes performativas, das combinações entre som e imagem às relações entre tempo e espaço, constituindo um dos campos mais intensos da prática artística. A expressão time-based art parece pois alcançar bem mais do que o território limitado da cinemática ou da performatividade para se tornar, directa ou indirectamente, a pedra-de-toque de parte importante da arte actual.


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