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13 de Maio

unsuspicious

The Politics of Aesthetics

A arte mantém hoje, como desde sempre, um complexo relacionamento com o político. A diversos níveis que não só aquele comummente apelidado de arte política, este relacionamento afirma-se, sobretudo, como uma espécie de rótulo que tem servido de veículo redutor de toda a discussão. Sabemos que continuamente somos brindados com mais uma das chamadas “propostas críticas” mas que são sempre consensualmente aceites — porque no fundo as opções maioritárias na arte contemporânea têm sempre um cunho crítico ou não fosse esse, talvez, o domínio mais estranhamente consensual do nosso tempo. Ser consensualmente crítico, ou dito de forma mais crua, pura e simplesmente não o ser. Aquilo que de maneira muito clara Jacques Rancière refere como sendo a produção de estereótipos como modelo crítico para os estereótipos a criticar.

Um tal cenário torna-se insuspeito aos nossos olhos, tal a sua condição abrangente. Talvez por isso mesmo se torna imperativo discutir a natureza politizada do fazer artístico e quais as formas de o realizar nesta segunda década do séc.XXI impregnada em crises de crescimento descontroladamente globais. De bienais e mega exposições, um pouco por todo o lado, em crescente agonia ou em transformação acelerada; de nomadismos vários e dos seus intérpretes fetiche; mas, também, de outras intervenções que pretendem, antes de mais, realizar o trabalho artístico conscientes das suas limitações e, contudo, entranhadas desse sentir da realidade que provoca uma espécie de estranha ressonância que se recusa a diminuir de tom. De todas se constitui a nossa realidade, olhá-la sem suspeições é um acto político por excelência.


3/3

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